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Gleice critica política educacional de Riedel e alerta para “projeto contra professores”

Parlamentar também detalhou construção coletiva do projeto sobre câmeras em sala de aula e defendeu proteção à liberdade pedagógica nas escolas

Redação
Por: Redação Fonte: ASSESSORIA
27/05/2026 às 17h51
Gleice critica política educacional de Riedel e alerta para “projeto contra professores”
- (Foto: Divulgação)

A deputada estadual Gleice Jane (PT) fez duras críticas à política educacional do governador Eduardo Riedel durante sessão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). Em discurso nesta quarta-feira (27), a parlamentar afirmou que o Governo do Estado tem adotado medidas que desvalorizam professores, precarizam a educação pública e ignoram a realidade enfrentada pelas escolas estaduais.

Entre os pontos levantados, Gleice criticou declarações recentes do governador sobre o uso da inteligência artificial na educação. Para a deputada, a fala demonstra desconhecimento sobre a estrutura das escolas e sobre os desafios enfrentados pelos profissionais da rede estadual. “Não vai funcionar qualquer instrumento de inteligência artificial sem formação para os professores, sem capacitação, sem valorização profissional e sem estrutura nas escolas”, afirmou.

 

Ela também alertou para os riscos do uso da inteligência artificial sem orientação pedagógica adequada nas escolas. Em sua fala, pontuou que a tecnologia depende dos comandos que recebe e, sem mediação dos professores, pode estimular desinformação e prejudicar o desenvolvimento crítico dos estudantes. “Existe o risco de os alunos deixarem de ler, pesquisar e buscar informações corretas. A tecnologia precisa ser uma ferramenta de apoio à educação, e não substituir o processo de aprendizagem”.

A parlamentar citou problemas estruturais enfrentados pelas unidades escolares, como falta de computadores, deficiência na rede elétrica e ausência de climatização adequada nas salas de aula. “Hoje, ar-condicionado não é luxo. Uma sala de aula sem ventilação adequada compromete o aprendizado. Não existe inteligência artificial que resolva isso”, declarou.

Gleice também afirmou que o governo estadual tem ampliado mecanismos de pressão sobre os profissionais da educação. “Quando o governador diz que a inteligência artificial vai pressionar professores, ele desconsidera toda a formação, competência e dedicação desses profissionais”, criticou.

Durante a fala, a deputada ainda associou medidas recentes da gestão estadual a um avanço de processos de terceirização e privatização da educação pública, citando experiências de outros estados.

A parlamentar aproveitou o discurso para apresentar requerimentos relacionados à educação especial. Entre os questionamentos enviados à Secretaria Estadual de Educação, Gleice Jane pede esclarecimentos sobre a falta de atendimento especializado a estudantes com laudos e sobre possíveis orientações internas que limitem solicitações de professores de apoio.

“Uma sala de aula sem acompanhamento adequado prejudica o estudante com laudo, o professor e todo o processo de aprendizagem”, afirmou.

Câmeras em sala de aula

A deputada também comentou o debate sobre o projeto das câmeras em sala de aula, tema que vem sendo discutido na Assembleia Legislativa. Gleice explicou que inicialmente votou contra a proposta, mas decidiu aprofundar o diálogo com profissionais da educação antes da construção final do texto.

Segundo ela, o projeto passou por escutas com professores, diretores, coordenadores, universidades e audiências públicas realizadas em diferentes regiões do estado. “O maior medo apresentado pelos professores era que as câmeras fossem utilizadas como instrumento de perseguição e vigilância constante sobre o trabalho docente”, explicou.

De acordo com a deputada, o texto final buscou equilibrar proteção aos estudantes e garantia da liberdade pedagógica, além de prever regras relacionadas à proteção de dados e ao uso responsável das imagens.

“Foi um projeto construído coletivamente, ouvindo quem vive a realidade das escolas. O objetivo é garantir proteção às crianças sem transformar as câmeras em mecanismo de censura ou perseguição aos professores”, concluiu

 

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